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terça-feira, dezembro 04, 2007

1,2,3 testando

Alô? Queria falar com Antônia, por favor. Como? ela não está? Mas como é que eu vou fazer agora, moça? como assim "fazer" o quê? Você não sabe como é não viver sem escutar o barulhinho que ela faz antes de dormir. Sem escutar as loucas teorias que ela cria e recria, sem ver o jeito que ela dança só pra mim! Não moça, eu sei que você não tem como trazê-la de novo, mas... me escute, por favor! Será que ela deixou alguma carta? Algum endereço? Será que ela volta? Como assim, você não sabe??? Moça, eu to começando a duvidar de você, isso é uma pegadinha do Faustão? Me diz??? Não moça, eu não acredito... e como é que eu vou fazer sem o café forte de manhã? Acostumar? Me acostumar? Me entenda, não dá, cada sorriso dela é motivo pra continuar. Não tinha nada de tão forte que pudesse nos separar assim! Acho que eu liguei pro número errado... aí é 3333-3333? Sério??? Hm... então eu posso deixar um recado pra ela? Ah, que ótimo! Se ela aparecer, diga que nós ainda iremos nos encontrar. Muito obrigado, moça. Adeus.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Socorro! Eu já não sinto nada

Sabe aquela bolha que flutuava pra lá e pra cá, se enchendo às vezes, às vezes murchando? Ela Batia aqui e ali, ás vezes se enchia, às vezes murchava, às vezes esquecia do tempo e vagava, vagava, mas não esquecia por onde passava. Pois é, essa mesma bolha estourou. E estourou de uma forma que difícilmente você a verá por ai. Ficou tanto tempo com tanto ar guardado e contido dentro dela, que cansou de tanto soprar pra dentro e esperar ficar mais leve, mais colorida. Encheu-se de si mesma e decidiu jogar tudo pro alto.
Não se sabe por onde anda os seus cacos, seus pedaços ou lembranças. Só se sabe que ela precisa de um tempo pra respirar, querer ser daquela forma ou de outra, ou saber se ainda quer alguma coisa.

segunda-feira, novembro 12, 2007

Simpatia não tem nada a ver comigo

"Com absoluta sinceridade, tento ser otimista a respeito de todo esse assunto, embora a maioria das pessoas sinta-se impedida de acreditar em mim, sejam quais forem meus protestos. Por favor, confie em mim. Decididamente, eu sei ser animada, sei ser amável. Agradável. Afável. E esses são apenas os As. Só não me peça para ser simpática. Simpatia não tem nada a ver comigo."

A menina que roubava livros e o trecho que é a minha cara.

quarta-feira, novembro 07, 2007

Borboleta

Ta tudo certo. A cabeça na cabeça, o frio no estômago e muita vontade de ser o que nem sei o que seria. Mas enfim, depois de tantos cacos inutilizados, tantas palavras jogadas fora, tantas dores de cabeça e noites mal dormidas, qualquer coisa é lucro.
Antes, quando a cabeça era no estômago, mal me incomodava se meia dúzia não são seis, se amanhã chove torrencialmente e raios cairão no meu telhado, ou se ele vem ou não vem. Quem sabe?
E só tenho, agora no estômago, várias borboletas.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Livro - Parte VI


Ele saberia que qualquer coisa entre ar e dor, terminaria num andor sem fim que lhe consumia cada molécula expelida pelos seus poros cansados. A teimosia seria a virtude dos desesperados ou o desespero não passa de uma maldade própria e incrustada? Era bom pensar nesse instante e qualquer coisa que viesse à sua cabeça de vento era bem-vinda. " Ocupando o espaço vazio, pra não alimentar os maus pensamentos". Mas o melhor ainda era poder respirar o ar sem dor, poder ser ré sem ser menor, poder esquecer-se por um instante apenas, pra então ser livre em sua própria companhia.

Foto de Herval Freire

sexta-feira, setembro 14, 2007

Livro - Parte V



Mariza era uma senhora viúva, sem filhos, netos ou qualquer outro parente por perto, só contava com sua empregada, Constanza, que a amava e cuidava com todo afinco. Mariza tinha perdido seu marido ainda jovem, no período da Segunda Guerra. Uma morte “por nada”, segundo ela.
A notícia havia chegado, com tamanha tristeza, pelos jornais e listas afixadas por todas as cidades do país. Algum jornal da época contava que o reconheceram pela aliança com a frase gravada: “Sempre Mariza”.
Antes de partir, o marido havia escrito uma longa carta de despedida, atolada de sentimento, saudades e decepções com os motivos de se existir e fazer parte de uma guerra civil e violenta. Por sorte ou vontade de Deus, a carta chegou após 30 anos, não se sabe o porquê da demora, mas chegou.
Constanza ao receber a tão esperada carta, teve medo do tamanho da emoção que poderia causar à patroa, já estipulando as reações provenientes da surpresa: de um simples desmaio a um ataque brusco no frágil coração de Mariza.
Constanza pensou, pensou e decidiu abrir a carta e corta-la em pedacinhos do tamanho de um parágrafo. Esses parágrafos seriam enviados como doses homeopáticas e seriam lidos diariamente até o último dia em que Mariza se encontrasse na terra e, então, atualizada, estaria preparada para encontrar o seu marido no céu.

Foto de Nazareno Andrade.

quinta-feira, setembro 13, 2007

O livro - parte IV



Depois de não ter mais pra quem apelar e de ter tentado, com todas as forças, ter poderes mediúnicos, Rosa Cansada de Esperar parece que foi atendida pelas suas preces: Eis que aparece um gênio mágico, que saíra de uma das garrafas da venda de Seu Antônio.
Pois é, Seu Antônio havia jogado a garrafa com todo o seu ódio para bem longe dali, por se sentir enganado com uma garrafa vazia pela distribuidora. Não sabia ele que havia perdido um gênio, e, vejam só, um “gênio mágico”!
Mas hoje não era o dia de Seu Antônio, era o dia da Rosa Cansada de Esperar.
E, quando Rosa viu que era sua grande chance, e era única, pois o gênio tinha pressa pra sair dali, ela gritou:
- Uma bola de cristal, por favor!
Ninguém soube, até hoje, se ela foi atendida realmente. Mas, todos não vêem a hora de encontrar o tal “gênio mágico” para pedir exatamente o que a Rosa pediu.
Todos já estavam cansados de esperar.

Foto de Herval Freire

O livro - parte III



quando eu cheguei tudo estava virado.
minha cabeça, meus braços, minha boca, meus olhos procuravam
tua sombra.
ao lado da minha.
ou como se fosse, como eu queria.
procurava a única coisa que importa no porta-restante do meu peito:
um zum-zum que faz falta.
procurava a palavra segredada e calada num impulso
pelo beijo.
e, espreitando por cada brecha, a penumbra mostrou-me, agora, e de forma clara,
que a única falta - que faz falta tanta - é tua.
que a única presença - que me importa - é tua.
que a minha fala procura - ainda rouca - a tua.
e precisa de resposta, não mais eco.

Foto de Nazareno Andrade

O livro - parte II



Era pouco.
Queria mais.
E pedia como se não quisesse,
como se não pudesse,
como se não coubesse.
Mas cada canto tem seu espanto e o encanto daquele seu sorriso (de canto) era encantadoramente assustador.
E como chegava sem avisar, causava um susto risonho que fazia cócegas e causava náuseas.
Era meio não-sei-o-quê e era bom.
Ai ela pedia (de novo)
E (mais) uma vez.
Como se não quisesse, como se não pudesse, porque queria que coubesse.
(Em si).

Foto de Herval Freire

O livro - parte I


Aos que querem significados: que os esqueçam.
Existe muito mais no pouco de cada força, seja ela "auto" ou "ajuda". Existe muito no braço que colabora, na mão que recebe e nem sabe se há uma troca.
Veja só: uma pirâmide de mãos espalmadas valem mais que dez com as mesmas cerradas.
Aos que apenas escutam: ajam.
Pois, uma sentinela de humanidade vale mais que mil palavras desnorteadas.

Foto de Nazareno Andrade

sexta-feira, agosto 24, 2007

voa!

o mundo: jardim sem fim
com as raízes presas
a uma asa de borboleta

quinta-feira, agosto 23, 2007

chuva

seria mais fácil
se não fosse a chuva
inveja dela

terça-feira, agosto 21, 2007

o mínimo

Pra te mostrar de tudo
Vou ser minha fantasia
Você, meu carnaval

terça-feira, agosto 14, 2007

A receita

Se fosse so mastigar...seria fácil. Mas não, precisa salivar, precisa cozinhar, precisa experimentar pra chegar no ponto do sal e do cozimento.
Precisava açucarar umas coisas, outras deixar na medida, para, em último caso, deixar salgar e marinar de um dia pro outro as mal digeridas.
Às vezes deve-se por em banho-maria, mas a aventura de se colocar direto ao forno é maior.
Bater ovos em neve, adicionar aos poucos a gema, com vivacidade bater a manteiga e adicionar com todo gosto, pois ser rigoroso em certas medidas serve pra render, pra durar mais e acertar ... nem sempre.

quinta-feira, julho 12, 2007

it's a long way

Era um dia escuro, chuvas e nuvens revezavam-se no trabalho de tapar o sol com a peneira. Era um dia normal se não fosse o grande arrependimento dela, se não fossem as nuvens, se não fosse um desgosto que ultrapassava qualquer outro.

“Os olhos da cobra verde
hoje foi que arreparei
se arreparasse a mais tempo
não amava quem amei”

Enquanto ela fechava os olhos, sentia cada letra do que escutava, tentando diminuir ainda mais as pequenezas dos grandes problemas. Mas nem sempre era assim, qualquer um sabe bem disso.
Mas o que era bom nessa história toda, era saber que naquela bendita hora, os gestos contam, o que sai da boca conta, a gente sente e re-sente. E caberia somente ao portador da dor saber onde bem enfia-la.

“Arrenego de quem diz
que o nosso amor se acabou
ele agora esta mais firme
do que quando começou”

E um pensamento dela era proporcional a um raio de sol que fugia atrás das nuvens. Um canto escondido no canto do olho era capaz de diminuir problemas, esquecer fatos, relembrar fotos, dar bom dia com um sorriso, matar quem tava matando, querer derrubar os bois e seguir viagem.

"E se não tivesse o amor?
E se não tivesse essa dor?"

It’s a long way

segunda-feira, julho 02, 2007

Jonas e as mulheres

Era meio troncho o tal do Jonas. Mas tinha uma língua boa de prosa, que fazia qualquer mulher, até a mais casada, querer ver a sua “arma secreta” com todos aqueles secretos segredos que ele fez questão de espalhar aos quatro cantos (especialmente em salões de beleza e supermercados). Jonas bebe feito uma porca, fuma que nem chaminé um dos cigarros mais baratos e podres que existe na face da terra. Como se não bastasse, é feio, pobre e banguela. E mesmo assim, fazia fama com as mulheres. “Ai, Jonas, você vai me matar desse jeito!”. Era essa a frase que ele mais escutava. E era frase sussurrada, vejam só...Jonas andava meio torto também, esqueci de dizer. E nem tinha pinta de malandro. Mas os anos em que ele estudou filosofia e literatura serviu muito bem, ajudando-o a levar quem ele quisesse pra cama.
“Mais em baixo, Jonas, ai... aaai meu deus!”

sexta-feira, junho 22, 2007

Bululú

Ode ao criador que me deixou só, aqui,
Sem roteiro nem destino traçado.
Ode ao criador que me deixou enferma
E a procurar meu senso comum.
Ode ao ser vivo não-vivo em que o meu criador se transformou,
Por ter permitido eu ser assim do jeito que sou.
Viva! Ao diretor da minha vida que nem minha fala decorou.
Viva! Ao mestre da vida que depois de vivida
Eleva à morte a minha dor.
Viva aos poetas que ainda vivem
Por essa vida triste
Ao morrer de amor.
Viva à minha vida de bancar o vencedor,
Mesmo depois da derrota,
Assistida pelo meu autor.

terça-feira, junho 19, 2007

Amor como ele é

Ele segurou os seus cabelos enquanto ela vomitava e não negou beijos e abraços em seguida. Foi amor à primeira vista, à primeira ressaca, à primeira desmemoria que precede a cachaça.
Embalados com todo aquele cheiro de cigarro e bebida que exalava pelos poros e pelo suor que embebia seus corpos, dormiram abraçados e casados pela maconha e pelo pó.
Um barulho causado pelo rato, que derrubando as coisas pelo caminho ainda passou por cima de suas quatro pernas, acordou os noivos meio zumbis meio ressaca. Sorriram amarelo assim que sentiram a cabeça furta-cor desvairada, que fazia girar o chão, teto e todos os resquícios da noite anterior.
Continuaram sorrindo, atônitos, tomaram dorflex, engov e coca-cola e terminaram abraçados, consumindo o dia que o sol ainda iluminava, esperando que a noite trouxesse toda a memória que lhes havia faltado.

segunda-feira, junho 18, 2007

As palavras que voam

Ela tinha um quê de querer destruir tudo, às vezes. E nessas horas ela nem ligava pro que achavam ou pro que sentiam. Gostava de ficar só também, era um grande prazer não precisar conversar vez por outra. Mas isso ela já não conseguia.
Era estranho. É, ela é estranha. Tentava ser boa no trabalho, na cozinha, nas festas e na cama. Mas se cansava de pessoas com facilidade, porque tem horas que o que ela precisava mesmo era que soubessem ler seus olhos quando a dificuldade era tanta de falar. E a vontade de falar era tanta, tanta que se prendiam nos olhos, porque teimavam de subir pela boca até lá. E iam, iam e faltavam e se misturavam, e já passou a hora de serem ditas.
Para ela, claro.

quinta-feira, junho 14, 2007

As teorias rupestres de uma simples energúmena

Ela reservou toda sua indumentária energúmena para a fanfarra aborígine que escalpava sua intérprete sala. Alcançou malevolência de abutres e até de hortifrutigranjeiros. Queria viver inconstitucionalissimamente a redundância polígrafa de seu ser. A policromia irreversível de todas as minúcias e astúcias benevolentes dos seus filhos, a fazia escalfar qualquer mazela astuta, fazendo-a esquecer do infortúnio momento com a qual se deparava.
Por um momento de organdi, perenizava todas as fronteiras e copázios altruístas, para que a energia galvânica ascendesse e encontrasse a zurra de pensamentos lacônicos que não sabia explanar bem o porquê da sua causa rupestre.

quinta-feira, maio 17, 2007

Intervalo comercial

- Alô!
- Oi, tudo bem com você?
- Eu estou ótimo, quem é?
- Você ainda não me conhece...
- Quem tá falando?
- Como te disse, você não me conhece, mas eu gosto muito de você e de tudo o que você faz...
- Como? Não vai me dizer quem é?
- ...eu preciso dizer que você pode contar comigo pra tudo. Quando você precisar de alguém pra conversar, eu queria estar perto pra te escutar e te ajudar a resolver seus problemas...
- Satanás! Satanáaaaas!
- mas...
(desligou o telefone)

quarta-feira, maio 02, 2007

O tempo e as regras 2

Mariza era uma senhora viúva, sem filhos, netos ou qualquer outro parente por perto, só contava com sua empregada, Constanza, que a amava e cuidava com todo afinco. Mariza tinha perdido seu marido ainda jovem, no período da Segunda Guerra. Uma morte “por nada”, segundo ela.
A notícia havia chegado, com tamanha tristeza, pelos jornais e listas afixadas por todas as cidades do país. Algum jornal da época contava que o reconheceram pela aliança com a frase gravada: “Sempre Mariza”.
Antes de partir, o marido havia escrito uma longa carta de despedida, atolada de sentimento, saudades e decepções com os motivos de se existir e fazer parte de uma guerra civil e violenta. Por sorte ou vontade de Deus, a carta chegou após 30 anos, não se sabe o porquê da demora, mas chegou.
Constanza ao receber a tão esperada carta, teve medo do tamanho da emoção que poderia causar à patroa, já estipulando as reações provenientes da surpresa: de um simples desmaio a um ataque brusco no frágil coração de Mariza.
Constanza pensou, pensou e decidiu abrir a carta e corta-la em pedacinhos do tamanho de um parágrafo. Esses parágrafos seriam enviados como doses homeopáticas e seriam lidos diariamente até o último dia em que Mariza se encontrasse na terra e, então, atualizada, estaria preparada para encontrar o seu marido no céu.

segunda-feira, abril 30, 2007

O tempo e as regras

Ela era cheia de poréns como o uso da crase. Queria ir além e mudar de tipo o tempo todo, como o uso do porquê. E decidiu, como uma exclamação, que queria ser mais que um hífen entre seu passado e futuro, queria ser um adjunto adverbial, pra ter mais que um futuro, pra ter um pretérito perfeito, apesar das imperfeições do caminho. Então quis fazer do verbo “existir” um presente do indicativo, esquecendo a contração dos adjuntos adnominais que percorreram toda a sua vida. Lá em Estocolmo, sem próclises nem acentuação tônica – pois ela merecia coisas leves e corriqueiras – esqueceu que tempo é feito de amanhã e aprendeu que conjugar os outros é feio. Aprendeu também, que o próximo é mais que uma proparoxítona e, que a vida se conjuga sem regras e acentuações bobas que fizeram parte de todo o porém que antes resumia a sua vida.

quinta-feira, abril 26, 2007

Mocinhas e vilões

Em teoria, todos os filmes são iguais: Vilões usam preto; mulheres fatais têm boca carnuda e usam roupas decotadas ou bem justas (já que também são gostosas); e as meninas boazinhas são tão boazinhas que os olhos sempre lacrimejam e brilham e sofrem.
Não sei porque acham que a moça boazinha é a que sempre sofre, que a má é mais poderosa e que pessoas do mal sempre usam preto. Na vida real, as pessoas que são fortes e que saem no jornal com seus relatos são as que passaram por mais dificuldades e conseguiram vencer na vida, apesar de tudo. E eu já vi mocinha má usando rosa.
DaMatta, numa matéria do Fantástico, disse que a “Felicidade é aceitação da personalidade ao conviver em grupo”. Antropologicamente, a felicidade está na auto-afirmação e conseqüente confiança no “Eu posso”. Mas, de acordo com as novelas, as mocinhas precisam sofrer muito e a vida toda, para só então sentirem o que realmente é felicidade e se auto-afirmarem (mudando a roupa, penteado e maquiagem) no final, e, mesmo assim, ainda terão os olhos lacrimejantes e terão caras de sofredoras.
Mesmo nesse sofrimento sem fim, somente elas ganharão o público que, por sua vez, são de uma camada mais sofredora ou assalariada da população e que esperam um dia também vencer todos os obstáculos, como a mocinha da novela.

quarta-feira, abril 25, 2007

carta de um ateu

Vossa Excelência Senhor de Todos (Ou Deus,como és mais conhecido);

Peço desculpas, de antemão, se tenho errado o pronome de tratamento ou por incomodar a vossa senhoria, afinal como és Juiz, Diretor e Presidente desse mundo e de todo o universo, não achei pronomes tão adequados para tal. Peço também desculpas por minha existência, pois li em algum lugar na bíblia que temos que ser humildes, mesmo sendo vossa imagem e semelhança. E aproveito pra pedir desculpas pela ignorância de não saber onde foi que li ou se mesmo li o trecho que acabei de escrever nesta singela carta.
A minha dúvida é cruel e tem me feito refletir várias vezes sobre os erros que possivelmente tenho cometido durante toda a minha vida e, com sua permissão, começarei minha indagação para que eu possa ver uma luz no fim do meu túnel:
Se todos somos irmãos e casamos com outras pessoas que aprendemos que são como nossos irmãos, estamos cometendo o pecado do incesto? E se incesto é pecado, os filhos de Adão e Eva povoaram o mundo de que forma? E se todos são irmãos, Bin Laden e Bush também são? Se Bush é o presidente dos EUA e os EUA manda no mundo, Bush é Deus? Ou o senhor é Bush? E o senhor é irmão de Bin Laden? E Bin Laden está no céu?
Como pode ver, tenho muitas dúvidas, ó todo poderoso Bus..Bin...quer dizer, Deus.Peço ainda que, se não tiver tempo de ler a minha carta dentre tantas outras de todo o mundo e de tanta gente, terrestre ou extra-terrestre, que encaminhe ao Filho, ao Espírito Santo, ao FMI ou ao Banco Mundial (sendo os dois últimos um só) . E, se todos eles forem a mesma pessoa e essa mesma pessoa for o Senhor, só tenho que dizer mais uma coisa:
Amém.

segunda-feira, abril 09, 2007

segunda

segunda-feira é uma coisa inócua,vazia e sem motivação. não tenho como acreditar que o mundo começou a ser criado numa segunda. eu nem consigo acordar bem, nem disposta, nem muito menos falante numa segunda.só penso que a primeira ordem de deus, foi: "faça-se a minha cama, que amanhã eu faço o resto". na verdade, na verdade, falante em nunca fui. a não ser que tenha cerveja no recinto. mas no trabalho nem tem bebida. E acho que nem pode(acho?!?!?). mas a pessoa chega, nem cedo nem tarde, pra trabalhar na segunda, com ânimo suficiente só pra ler quadrinhos e, recebe logo de entrada, uma patada de uma colega. e a pergunta que surge é "se num guenta, pra que veio?". lógico que a pergunta é só mentalmente reproduzida, pro mundo não cair de resto na minha cabeça.
ai,a pessoa aqui que já não ta nos seus dias preferidos, perde o resto do humor e da paciência e fica escrevendo em blog pra desabafar.
eu juro que queria trabalhar na segunda-feira, mas só no período da tarde e com pessoas bem-humoradas. ou bem-amadas. mas ai eu já estou sendo agressiva. e a culpa não é minha, é da segunda-feira.

zizi possi, nunca!

às vezes acho que tenho problema no fígado, coração, rins e baço. hm...no baço, a minha homeopata já confirmou. como o nome desse blog já confirma, eu tenho problemas de audição( Oh! céus) e, na homeopatia, o problema começa no baço. tenho um baço fraco, por consequência, um ouvido ruim.deve ter uma desculpa pra isso. mas todo mundo sabe que escuto pouco. e nota. ou notou e depois soube por outra pessoa, com vergonha de me perguntar. eu não lembro de ter esse tipo de problema na infância, só na adolescência, onde todos faziam piadas e cantavam musiquinhas que lembrassem minha falta de audição. não, eu não ligo. imagina se eu ligasse pra piadas de campinense? logo eu, campinense e surda, morando em João Pessoa! Tá bom, não sou surda. tenho problemas auditivos. mas não precisa gritar perto de mim não, até porque tenho sensibilidade a agudos. e não tô inventando, descobri na audiometria. disseram também que meu problema auditivo é pequeno...
- Te incomoda?
- A mim nem tanto, mas os outros devem se incomodar em ter que repetir tudo pra que eu entenda.
enfim, sou campinense com problemas de audição e tenho problemas no baço e com vozes agudas de mulheres. é, eu não consigo escutar mulheres conversando muito tempo. o que é bom. ou é uma desculpa pra não precisar escutar conversas sobre vidas alheias.
mas isso também não importa, agora tô mais preocupada em escutar a rádio. gal costa ainda canta gostoso aos meus ouvidos, mas zizi possi, nunca!

quinta-feira, março 29, 2007

João de Maria, Maria de João

João era de Maria e Maria era de João até que Leonardo di Caprio desse bola pra ela."Que coisa!", reclamava João, "eu dou tudo que eu tenho pra Maria e ela se interessa por um ator que nem entende a língua dela...". Mas Maria não estava preocupada com os ciúmes de João, já tinha tino pra tratar com a situação: Com a voz mansa, dizia, sem muita enrolação: "João, você não vê que não é só inglês que tenho que aprender não?Teria que ser uma estrela, não como eu, fedida a sabão!".
João fazia de conta que não engolia o que Maria lhe dizia, pois no fim das contas se sentia um bobalhão. O que não sabia era diminuir a chateação de sentir ciúmes da sua grande paixão, e, de dizer a Maria, que tudo o que ele precisa na vida é sentir o seu cheiro de sabão.

quarta-feira, março 21, 2007

falta

quando eu cheguei tudo estava virado.
minha cabeça, meus braços, minha boca, meus olhos procuravam
tua sombra.
ao lado da minha.
ou como se fosse, como eu queria.
procurava a única coisa que importa no porta-restante do meu peito:
um zum-zum que faz falta.
procurava a palavra segredada e calada num impulso
pelo beijo.
e, espreitando por cada brecha, a penumbra mostrou-me, agora, e de forma clara,
que a única falta - que faz falta tanta - é tua.
que a única presença - que me importa - é tua.
que a minha fala procura - ainda rouca - a tua.
e precisa de resposta, não mais eco.

Era pouco

Era pouco.
Queria mais.
E pedia como se não quisesse,
como se não pudesse,
como se não coubesse.
Mas cada canto tem seu espanto e o encanto daquele seu sorriso (de canto) era encantadoramente assustador.
E como chegava sem avisar, causava um susto risonho que fazia cócegas e causava náuseas.
Era meio não-sei-o-quê e era bom.
Ai ela pedia (de novo)
E (mais) uma vez.
Como se não quisesse, como se não pudesse, porque queria que coubesse.
(Em si).

eu como...

Além das curvas que me levam para onde bem querem, além do calor que consome cada espaço, cada pedaço, poro, molécula de o2 que entra no meu corpo, eu respiro e transpiro cada céu, cada olhar, cada suor da pele que ferve e pede que seja forte e doce, que seja seu, teu e eu como.
Como, como você.

A pipa e o menino voando.

Bastava só um pouco de força. E de vontade. Ele levava o dedo à boca e depois ao céu porque era o céu que ele queria, e com vontade de gente grande. Fisgava no céu como se o percebesse e o sentisse e o percorresse. Era um sonho e era um menino. Mas ali, era só uma pipa e um menino voando.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Ela tinha 3 anos quando quis ser caixa. E nem era ser caixa de papelão, nem de banco, era de supermercado. Achava lindo todas aquelas mulheres fardadas, registrando freneticamente os produtos e donas do dinheiro. Aos 9, ela descobriu que queria ser bailarina, mas sua mãe disse que bailarina ganhava quase nada, a não ser que fosse pra dançar no balé de Barishnikov, coisa que, pra ela, era difícil até de escrever. Aos 11, descobriu que seu pai namorava, como um homem normal e já tinha até namorada, só não imaginava como um homem normal namorava. Ai ela teve raiva-ciúme-tomara-que-morra da primeira namorada que o pai teve, depois de separado. Aos 15, descobriu que pra beijar tinha que se enfiar a língua na boca do outro e dai em diante não tinha a mínima idéia de como continuaria. Aos 16, descobriu que o joelho não gostava tanto de vôlei quanto ela.Mudou de cidade e prestou vestibular pra engenharia civil, farmácia, direito, administração,psicologia, jornalismo e edificações. Destes 7, cursou 5 e formou-se em 2.Aos 27, ela lembrava que aos 3 queria ser caixa e descobriu, então, que o que gosta mesmo é de dinheiro, apesar dele não gostar dela. Ainda... Hoje, ela gosta de ver bailarinas do Barishnikov, de vôlei, de beijar muito, de correr ate sentir que o joelho não agüenta, de matemática - jamais de engenharia e de escrever. Mas morre de medo de quem se diz eclético.
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