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segunda-feira, janeiro 28, 2008

Green eyes

Queria dizer no teu ouvido que nada mudou, tá tudo até meio chato, meio sem graça e sem sal. De fato, só sei que era só olhar de lado, que ia te ver sorrindo, elogiando os meus sapatos sem cadarços e meu olhar curioso que se espalhava por cada lado, com aquela fome de ver tudo ao mesmo tempo e a cada metro quadrado de cada passo. Queria dizer que só você entende o meu silêncio, tanto, que me abraça sem perguntar, sem reclamar, sem achar coisas que nem eu poderia imaginar. Queria dizer que cada dia é um motivo pra lembrar, cada foto uma saudade pra guardar e que meu sorriso, quando se abre do nada, foi por lembrar que você estaria atento, esperando minha próxima pergunta ou silêncio, se estivesse nesse lugar. Queria dizer que estou voltando e além dos teus olhos verdes, do abraço-calmante, do ouvido atento, do sorriso sempre presente, das conversas sobre o céu-mar-e-ar, um dos motivos, eu queria dizer, é você.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Puls- ando

Quando Antônio chega, meu coração quase quer se mostrar à boca, assim, entregue, bem presente e dizendo, a cada pulsação: sou seu, sou seu, sou seu.
Toda poesia, pintura e vestido novo que eu compre pra usar e mostrar a cada encontro é como se eu quisesse conquistar mais, ser cada vez mais, entregar cada vez mais pra ele cuidar, cuidar, cuidar.
Antônio é a energia e a falta dela, a presença e total ausência, e isso me encanta, pois ser tantas coisas em uma só é uma coisa que só Antônio consegue. E me ter do jeito que ele tem, na hora que ele tem, ninguém mais teria.
Quanto Antônio vai embora, meu estômago torna-se um grande nó e a minha boca, que antes era coberta de sua quente saliva, seca quase que instantaneamente, procurando um meio termo entre a ida e a volta e tirando novamente o coração do seu eixo, que agora pulsa: volta, volta, volta.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Como um quebra-cabeça

Tudo começa como um grande quebra-cabeça: juntam-se todas as peças, trocam-se as peças perdidas e nos preparamos pras que irão ser perdidas mais na frente. Tudo faz parte, sejam peças pequenas, peças que não fazem sentindo e outras que são desnecessárias, pra montar uma tela bonita.
Essas peças desnecessárias são as que mais nos aborrecem, porque, quando você pensa que está tudo certo, elas aparecem, e, mesmo que você se esforce para encaixá-las em algum lugar bonito, você descobre que na verdade, elas não servem nem para ilustrar as firulas da linda paisagem que se procura.
Mas, quando você para um pouco pra pensar, e se toca que você tem peças lindas e que ainda vai conhecer mais sobre essas peças e de sua grandeza, nada mais importa nesse atordoado de pequenas peças desnecessárias.
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