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quinta-feira, março 20, 2008

menina

pra que tanta dor se ainda há sorriso dentro e por dentro? pra que tanta mágoa, se a gente ainda bate forte. pra que tentar retomar, se nada mais será como antes? pra que?
pra que ficar imaginando coisas onde coisa alguma cresce? pra que dissimular um sorriso, se o amarelo aparece?
pra que tentar, tentar, tentar
se a vida lá fora é mais um oceano de opções? se ainda não acabou o que era doce?
sorri menina querida, olha ao teu lado: tudo vai passar
sorri menina doce, o teu sorriso ainda vai poder iluminar uma cidade de sombras.
sorri menina,que a gente aqui fica pra mostrar que pra sempre vamos estar.
e eles nunca vão saber o que contido esta. no teu peito.

domingo, março 16, 2008

as coisas dentro dos sonhos

As coisas me escorrem pelos dedos. Mãos, pernas, cabeça, pensamento, tudo escorre pra um bueiro que nem sei mesmo onde vai chegar. Sei bem que esse lugar esta cheio de palavras velhas, que não há cabimento mais para serem ditas. Palavras que já eram, mesmo fazendo meu coração ficar às voltas e acordar num sopapo, como se tivesse acordado no meio da noite assustada, depois de um pesadelo. E se eu tivesse dito tudo o que eu queria? Se eu tivesse brigado pelo que eu queria? Talvez o bueiro não estaria tão cheio de palavras velhas, talvez o descompasso que passa aqui dentro, seria menos desorganizado. Talvez. Mas, na maioria das vezes, o momento já era, a hora acabou, o sorvete derreteu, e as coisas escorrem pelos dedos.
Por isso mesmo minha carne agora é translúcida e minhas palavras não merecem mais réguas para meias verdades. E, se te incomoda o fato d'eu ser assim, eu não me importo. Prefiro ser assim, explícita, a sorrir para quem não me quer bem. E prefiro ficar bem a imaginar minha vida como um sonho dentro de um sonho, apenas.

sexta-feira, março 14, 2008

Coisa tua

Era tudo que eu queria escrever agora, mas alice ruiz o fez primeiro. e bem melhor que eu, claro.

(feliz dia da poesia!)

assim que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar,
batendo duro no peito
até eu acabar virando
alguma coisa
parecida com você
parecia ter saído
de alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido,
mas ia viver um dia
alguma coisa perdida
que eu nunca tinha tido
alguma voz amiga
esquecida no meu ouvido
agora não tem mais jeito,
carrego você no peito
poema na camiseta
com a tua assinatura
já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu que virei alguma coisa tua

terça-feira, março 04, 2008

Técnica Zen

no grande jardim
balançam violetas
asas de borboleta

O sol

Era um dia chuvoso, cinza e sem graça que me fazia perambular de uma lado a outro, sem alguma coisa que fizesse os pensamentos fincarem os pés na órbita do meu apartamento. Relia, trelia e-mails, cartas, postais, fotos,etc e etc. Provei todas as roupas, botei meu cachecol vermelho-paixão com meu tênis roxo-quero-mais. Até meu pega rapaz tava meio gay. Então tentei fazer aquela posição dificílima que aprendi com a mestra zen da Yoga acrobática, e, mesmo assim, o silêncio- uma forma de barulho bem específico da meditação - era qualquer coisa, menos silêncio.
"Quer saber? chega!" - gritei pras minhas quatro paredes de cor amarelo-derretido-feito-manteiga, e saí.
Afinal, até o vento muda de ar. E mudei. E enquanto eu pensava o que faltava nesse dia cinza e chuvoso, a porta se abriu e ele me sorriu.
E enfim, chegou meu sol.
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