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quinta-feira, maio 17, 2007

Intervalo comercial

- Alô!
- Oi, tudo bem com você?
- Eu estou ótimo, quem é?
- Você ainda não me conhece...
- Quem tá falando?
- Como te disse, você não me conhece, mas eu gosto muito de você e de tudo o que você faz...
- Como? Não vai me dizer quem é?
- ...eu preciso dizer que você pode contar comigo pra tudo. Quando você precisar de alguém pra conversar, eu queria estar perto pra te escutar e te ajudar a resolver seus problemas...
- Satanás! Satanáaaaas!
- mas...
(desligou o telefone)

quarta-feira, maio 02, 2007

O tempo e as regras 2

Mariza era uma senhora viúva, sem filhos, netos ou qualquer outro parente por perto, só contava com sua empregada, Constanza, que a amava e cuidava com todo afinco. Mariza tinha perdido seu marido ainda jovem, no período da Segunda Guerra. Uma morte “por nada”, segundo ela.
A notícia havia chegado, com tamanha tristeza, pelos jornais e listas afixadas por todas as cidades do país. Algum jornal da época contava que o reconheceram pela aliança com a frase gravada: “Sempre Mariza”.
Antes de partir, o marido havia escrito uma longa carta de despedida, atolada de sentimento, saudades e decepções com os motivos de se existir e fazer parte de uma guerra civil e violenta. Por sorte ou vontade de Deus, a carta chegou após 30 anos, não se sabe o porquê da demora, mas chegou.
Constanza ao receber a tão esperada carta, teve medo do tamanho da emoção que poderia causar à patroa, já estipulando as reações provenientes da surpresa: de um simples desmaio a um ataque brusco no frágil coração de Mariza.
Constanza pensou, pensou e decidiu abrir a carta e corta-la em pedacinhos do tamanho de um parágrafo. Esses parágrafos seriam enviados como doses homeopáticas e seriam lidos diariamente até o último dia em que Mariza se encontrasse na terra e, então, atualizada, estaria preparada para encontrar o seu marido no céu.
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