
quando eu cheguei tudo estava virado.
minha cabeça, meus braços, minha boca, meus olhos procuravam
tua sombra.
ao lado da minha.
ou como se fosse, como eu queria.
procurava a única coisa que importa no porta-restante do meu peito:
um zum-zum que faz falta.
procurava a palavra segredada e calada num impulso
pelo beijo.
e, espreitando por cada brecha, a penumbra mostrou-me, agora, e de forma clara,
que a única falta - que faz falta tanta - é tua.
que a única presença - que me importa - é tua.
que a minha fala procura - ainda rouca - a tua.
e precisa de resposta, não mais eco.
Foto de Nazareno Andrade

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