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sexta-feira, junho 22, 2007

Bululú

Ode ao criador que me deixou só, aqui,
Sem roteiro nem destino traçado.
Ode ao criador que me deixou enferma
E a procurar meu senso comum.
Ode ao ser vivo não-vivo em que o meu criador se transformou,
Por ter permitido eu ser assim do jeito que sou.
Viva! Ao diretor da minha vida que nem minha fala decorou.
Viva! Ao mestre da vida que depois de vivida
Eleva à morte a minha dor.
Viva aos poetas que ainda vivem
Por essa vida triste
Ao morrer de amor.
Viva à minha vida de bancar o vencedor,
Mesmo depois da derrota,
Assistida pelo meu autor.

terça-feira, junho 19, 2007

Amor como ele é

Ele segurou os seus cabelos enquanto ela vomitava e não negou beijos e abraços em seguida. Foi amor à primeira vista, à primeira ressaca, à primeira desmemoria que precede a cachaça.
Embalados com todo aquele cheiro de cigarro e bebida que exalava pelos poros e pelo suor que embebia seus corpos, dormiram abraçados e casados pela maconha e pelo pó.
Um barulho causado pelo rato, que derrubando as coisas pelo caminho ainda passou por cima de suas quatro pernas, acordou os noivos meio zumbis meio ressaca. Sorriram amarelo assim que sentiram a cabeça furta-cor desvairada, que fazia girar o chão, teto e todos os resquícios da noite anterior.
Continuaram sorrindo, atônitos, tomaram dorflex, engov e coca-cola e terminaram abraçados, consumindo o dia que o sol ainda iluminava, esperando que a noite trouxesse toda a memória que lhes havia faltado.

segunda-feira, junho 18, 2007

As palavras que voam

Ela tinha um quê de querer destruir tudo, às vezes. E nessas horas ela nem ligava pro que achavam ou pro que sentiam. Gostava de ficar só também, era um grande prazer não precisar conversar vez por outra. Mas isso ela já não conseguia.
Era estranho. É, ela é estranha. Tentava ser boa no trabalho, na cozinha, nas festas e na cama. Mas se cansava de pessoas com facilidade, porque tem horas que o que ela precisava mesmo era que soubessem ler seus olhos quando a dificuldade era tanta de falar. E a vontade de falar era tanta, tanta que se prendiam nos olhos, porque teimavam de subir pela boca até lá. E iam, iam e faltavam e se misturavam, e já passou a hora de serem ditas.
Para ela, claro.

quinta-feira, junho 14, 2007

As teorias rupestres de uma simples energúmena

Ela reservou toda sua indumentária energúmena para a fanfarra aborígine que escalpava sua intérprete sala. Alcançou malevolência de abutres e até de hortifrutigranjeiros. Queria viver inconstitucionalissimamente a redundância polígrafa de seu ser. A policromia irreversível de todas as minúcias e astúcias benevolentes dos seus filhos, a fazia escalfar qualquer mazela astuta, fazendo-a esquecer do infortúnio momento com a qual se deparava.
Por um momento de organdi, perenizava todas as fronteiras e copázios altruístas, para que a energia galvânica ascendesse e encontrasse a zurra de pensamentos lacônicos que não sabia explanar bem o porquê da sua causa rupestre.
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