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domingo, setembro 06, 2009

Novas técnicas para reconhecimento de um homem de verdade - Parte I

Todo o dia é a mesma coisa. Eu e algumas colegas do trabalho (as mais chegadas, vale dizer) saimos pra almoçar juntas já que é a única hora que temos pra conversar tudo de uma só vez e entender tudo que as outras falam mesmo falando tudo (e todas) ao mesmo tempo.
Às vezes, um pobre colega homem pede pra nos acompanhar. Às vezes a gente deixa. E esse coitado fica a hora inteira do almoço sem falar nada e nem é porque não quer, é porque não tem como ou porque não tem a manha de falar ao mesmo tempo e o mais rápido possível e, ainda, de ser entendível.
Dia desse nós fomos a um restaurante diferente, um mais longe, bem mais longe, do tipo que nunca mais vou só pra não ter que andar tanto. Mas foi dica da chefe e ela foi junto. Preciso dizer mais nada sobre isso.
Nesse tal restaurante diferente, a primeira colega - eram seis - logo olha pra um cara e olha pra trás. Nós que somos ninjas dos entreolhados já sacamos tudo e sentamos doidas pra começar a comentar sobre o dito cujo a ser admirado. LÓGICO que começamos a analisar pela face e não pela bunda como muitos homens fazem.
Comissão de frente nota 10: Barba bem feita, cabelo lindo, pele linda, sorriso ai ai.
E tava comendo uma salada! Ai, quero uma também. Aliás, traga seis, por favor.
Até que depois de olhar tanto pra esse rapaz, e quase fazer com que toda a salada do garfo do pobre caísse no chão antes de chegar na sua boquinha linda e perfeita, uma das moças solta um "AH!" com muito desapontamento e completa:
"Ele é gay, bichinha da silva!!!"
E eis que ela aponta, trêmula, pra bolsa do rapaz, uma legítima bolsa ecológica, coisa que, homem que gosta de mulher, se não for gringo, não tem.
Fazer o quê?
Suspiramos e pedimos bolo de chocolate de sobremesa pra compensar a salada e voltamos reclamando da enorme caminhada de volta ao trabalho.

E nem venha um boy dizer que tem uma bolsa dessa e é hetero, que quero ver provas concretas de que tu sai com uma dessa com carteira e SOMBRINHA pra ir ao trabalho!

2 comentários:

raquel medeiros disse...

eu sinto falta desses encontros femininos. dividir bolo de chocolate com homem não é a mesma coisa. eles não têm noção da metafísica escondida num pedaço de bolo, ainda mais depois de uma descoberta dessa (ou seria decepção?).
eu só sei que deu saudades de todas as meninas do meu compasso, inclusive de tu.
=*

L. de Liuba disse...

eita, quel, que eu vinha dizer disso, ó. oxe, que nada, tanto bolo de chocolate nesse mundo de meu deus, só esperando ser bem fatiado e dividido, e eu aqui pensando, pensando... no ano 2020 eu vou ter o que? (...) nã. de todo modo, mais vale seis moças falando sem parar na mão do que um único carinha, com ecobag ou não. não?

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