Eu nasci em Campina Grande, lá naquela terra de forró, que hoje também é terra de universitários.
Acho que todo mundo brinca com a minha terra e por eu ser de lá, mas isso nunca me incomodou. E sei dançar forró muito bem. Aliás, aprendi pequenininha, quando minha mãe ainda morava na casa do meu avô Roldão, em bodocongó,lá em Campina.
Vovô tinha uma sanfona e um violão. Com a sanfona a gente sempre brincava, apertava os teclados, desafinava e ele nunca reclamou. Até porque ele nunca usava a sanfona, servia apenas de brinquedo pra gente. Ele não cantava, não reclamava, não dizia se tava triste, mas sempre se alegrava com presença da gente.
Um dia vovô me viu dançando com a vassoura e pegou a sanfona pra cantar uma música de Luís Gonzaga. Foi a única vez que o vi pegando na sanfona. E hoje ele deve cantar Luiz Gonzaga e deve ta tocando sanfona, em paz, do mesmo jeito que a notícia chegou pra mim ao acordar.
Vovô, toca Chuculateria pra mim?
Te amo, vá em paz.
Faith can move mountains.
Há 1 ano

4 comentários:
como assim? Lo, cadê você?
meu avô não tocava sanfona, mas era - o que ele mesmo chamava - um pé de valsa.
acho que foi a 'perda' que mais me doeu. me dava livros e me pedia pra ler e contar-lhe a história depois. minha torcida pelo flamengo eu devo a ele, assim como meu amor pela leitura, pela escrita e por cantar - mesmo sozinha - pra me sentir melhor.
esse teu texto me emocionou tanto, tanto... e me fez sentir uma saudade enorme dele.
ele deve estar tocando sanfona pra ti, pra te ver rodopiar mesmo nos dias tristes.
um beijo saudoso, Loren.
Lorena, escreve mais! a orfandade é uma coisa triste...
Quando eu voltar para o sertão
eu não quero zombar do oito baixos de Januário
quando eu voltar para o sertão
eu quero ouvir o seu avô tocar
um xote rasqueado...
Um beijo, moça.
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