As coisas me escorrem pelos dedos. Mãos, pernas, cabeça, pensamento, tudo escorre pra um bueiro que nem sei mesmo onde vai chegar. Sei bem que esse lugar esta cheio de palavras velhas, que não há cabimento mais para serem ditas. Palavras que já eram, mesmo fazendo meu coração ficar às voltas e acordar num sopapo, como se tivesse acordado no meio da noite assustada, depois de um pesadelo. E se eu tivesse dito tudo o que eu queria? Se eu tivesse brigado pelo que eu queria? Talvez o bueiro não estaria tão cheio de palavras velhas, talvez o descompasso que passa aqui dentro, seria menos desorganizado. Talvez. Mas, na maioria das vezes, o momento já era, a hora acabou, o sorvete derreteu, e as coisas escorrem pelos dedos.
Por isso mesmo minha carne agora é translúcida e minhas palavras não merecem mais réguas para meias verdades. E, se te incomoda o fato d'eu ser assim, eu não me importo. Prefiro ser assim, explícita, a sorrir para quem não me quer bem. E prefiro ficar bem a imaginar minha vida como um sonho dentro de um sonho, apenas.
Faith can move mountains.
Há 1 ano

3 comentários:
a la cecilia meireles.
um sonho matrioshka, sei como é. vai ficando pequenininho, né?
saudade.
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